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IPCA para o mês de agosto e como isso impacta seus investimentos

Atualizado: Set 11

Uma das pautas que vem sido discutida em jornais, televisão, mídia, etc. é o movimento crescente da inflação.


A definição padrão para a inflação é o aumento dos preços de produtos e serviços de forma generalizada.


Na prática, a inflação é usualmente gerada através de um descasamento entre a oferta e a demanda. Sendo que, no caso de uma inflação, a demanda por produtos ou serviços se encontra maior do que a oferta por estes mesmos produtos ou serviços.


Este descasamento entre oferta e demanda pode estar relacionado a política monetária de um país e, no cenário que estamos vivendo agora, a diminuição da taxa de juros (SELIC) provocou esse desencontro em alguns produtos e serviços.

Em resumo, uma taxa de juros mais baixa facilita e/ou distribui mais capital à população. Fazendo que, com mais capital, a população aumente seus hábitos de consumo.


Uma vez que os gastos da sociedade aumentam para bens de consumo (por ex.), existe uma tendência natural de que os preços também irão aumentar.

Em termos simples, quanto mais dinheiro na mão das pessoas, mais elas tendem a gastar. 

Hoje, dia 09/09, saiu o IPCA (indicador de inflação) do mês de agosto pelo IBGE. O IPCA é medido como se fosse um reflexo do custo de vida da população brasileira e, para isso, são contemplados os custos com moradia, alimentação, bebidas, saúde, transporte, educação, comunicação, entre outros.


Este indicador teve um aumento de 0,24% para o mês de agosto, apontando a maior taxa para agosto desde 2016.


Pelo fato do IPCA contemplar uma cesta de produtos e serviços, é importante entender a movimentação de cada um dos componentes presentes nessa “cesta”.


O que vimos para os últimos meses foram os preços da gasolina e dos alimentos crescerem mais do que outros produtos/ serviços.


Sendo assim, estamos vendo medidas tomadas pelo governo para diminuir/ zerar taxas de importação de etanol e arroz para que a oferta desses produtos aumentem no mercado e diminua o excesso de demanda ocorrido.


É importante ressaltar que existem outros indicadores de inflação no Brasil, que visam outros setores e possuem diferente metodologias. No entanto, como o IPCA é o indicador base para a tomada de decisão em relação à SELIC, e consequentemente, o que afeta mais os investidores do mercado financeiro, esse texto vai ser destinado à ele.


O principal fenômeno que fez com que o governo abaixasse a SELIC a 2% sem ter um efeito imediato na inflação foi a crise do coronavírus.


Uma vez que os brasileiros passaram a consumir menos por estarem em quarentena ou pelo fato de vários estabelecimentos estarem fechados, grande parte das vendas não ocorreram. Assim, os vendedores, em geral, não tinham demanda para aumentar os preços.


No entanto, agora que as portas das lojas e comércios estão reabrindo, existe um receio de que a inflação poderá ter um “efeito chicote” e aumentar de maneira expressiva.


Se isso ocorrer, o governo terá que aumentar as taxas de juros para conter esse aumento de preços.


Dado os fundamentos da inflação, como isso afeta meus investimentos?


Primeiro, vale lembrar que estamos vivendo uma situação de muita incerteza. Tanto as empresas de serviços quanto as de produtos ainda não estão operando na sua capacidade pré-pandemia (em sua maioria). Por tanto, precisamos aguardar os desdobramentos da pandemia para entender o movimento e a velocidade do aumento de preços.


No entanto, enxergamos que investimentos atrelados à inflação (renda fixa) podem obter quedas relevantes nos seus preços unitários, caso haja um aumento brusco nas taxas de juros.


Relembrando: Papéis IPCA+ - renda fixa (por exemplo) ganham valor nas quedas de juros e perdem valor nas altas de juros.


2 variáveis são importantes nesse cenário:


1- Se o seu investimento em IPCA+ tem um vencimento longo e você pretende vende-lo no mercado antes do seu vencimento, tenha em mente que o valor de venda deste ativo pode se desvalorizar no médio prazo.


2- Em contrapartida, se você pretende manter o seu investimento IPCA+ até o vencimento, a taxa pré-estabelecida deverá ser cumprida pelo emissor do título (por ex. um investimento IPCA+ 4,00% com vencimento 2025 irá te remunerar essa mesma taxa - variando somente o componente de inflação - e se ocorrer inflação no período, seu investimento terá rendimentos maiores, em termos nominais)


A importância dos papéis IPCA+ é a garantia que o seu investimento irá render sempre uma porcentagem acima da inflação do período, fazendo com que não ocorra perda no seu poder de compra.


Para investimentos em renda variável, muitas variáveis podem ser contempladas e, outros fatores além da inflação afetam essa classe de ativo.


Permanecendo no tópico de inflação, existem empresas que possuem uma facilidade maior para repassar a inflação para os seus consumidores finais. Dessa forma, o lucro dessas companhias é menos afetado por um aumento brusco de preços.


Em geral, empresas de saneamento, energia, alguns tipos de serviço e consumo possuem uma dinamicidade maior para repasses de preço.


Isso não quer dizer que esses setores serão os vencedores em um cenário de inflação alta. Porém, é importante ter em mente quais empresas do seu portfólio possuem maior flexibilidade.


Como comentei antes, o cenário de inflação e juros no país ainda está sob o efeito da pandemia. Os próximos capítulos ainda estão incertos, e o próprio mercado, vem reajustando suas projeções em relação à esses indicadores.


Com isso, reforço cautela nesse momento, apesar de ter uma visão construtiva para o mercado financeiro no curto, médio e longo prazo.

Arthur Figueiró - Império Investimentos

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